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Unimed-BH On-line nº 688

Cooperado Sérgio Edriane lança livro bilíngue de haicais na Academia Mineira de Letras

Há quem registre o mundo com fotografias. Sérgio Edriane, otorrinolaringologista, prefere capturá-lo em versos curtos. Cooperado da Unimed-BH na especialidade de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, o médico lançou recentemente Na métrica do haicai (Editora Coopmed), obra apresentada ao público durante a 4ª edição do Lançamento Coletivo da Academia Mineira de Letras (AML), realizada em 4 de julho.

À direita, Sérgio Edriane no lançamento do livro, ao lado do presidente da AML, prof. Jacyntho Lins Brandão.


O livro foi um dos 12 selecionados para compor o evento, que reuniu publicações lançadas entre 2025 e 2026. A conquista representa mais um capítulo de uma trajetória na literatura construída paralelamente à medicina.

“Tenho investido em minha carreira como escritor há cerca de dez anos, embora eu já escrevesse poemas e contos desde a adolescência. Exerço a Medicina com vigor, ainda hoje trabalho muito e faço muitas cirurgias, mas encontro tempo para ler e escrever à noite e aos finais de semana”, conta Sérgio.

Foi justamente a necessidade de abrir espaço para a literatura que levou o cooperado a reorganizar sua rotina. Ao ingressar na pós-graduação em Escrita Criativa, em 2021, decidiu reservar os sábados para os livros. “Foi terapêutico para mim”, relembra.

Em Na métrica do haicai, a precisão do cirurgião encontra a delicadeza do poeta. Inspirado nos mestres japoneses Matsuo Bashô e Issa Kobayashi, Sérgio reuniu poemas escritos entre 2018 e 2022. A obra é bilíngue, em português e japonês, e convida o leitor a observar a beleza dos pequenos acontecimentos do cotidiano.

“O haicai é um olhar sobre um instante, como uma fotografia que registra a natureza”, define o autor, que cita um haicai para os otorrinolaringologistas e seus pacientes:

cigarras zunindo
chovem claves labirintos
prescrevam-me pássaros

Dividido em duas partes, o livro passeia pelas estações do ano e por paisagens onde realidade e imaginação se encontram. A natureza brasileira surge como elemento central, aproximando a tradição japonesa do universo mineiro.

Esse diálogo aparece logo na concepção visual da obra, com ilustrações de Bianca Smanio. “É um livro para a cidade que escolhi viver e seus ipês, e seu paralelo japonês, as cerejeiras”, explica. A capa traz um ipê, enquanto a contracapa apresenta uma cerejeira, conectadas por uma lombada que remete ao tronco de uma árvore.

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O caminho até a publicação exigiu persistência. Um dos maiores desafios foi encontrar quem traduzisse os haicais para o japonês, trabalho conduzido por Nodoka Nakaya, com apoio de Eunice Suenaga. “Foi um longo trabalho. Ao final, o livro saiu como eu esperava!”.

Enquanto Na métrica do haicai segue circulando por bienais e festivais literários, Sérgio já prepara novos voos. Seu romance histórico O Fantasma da Serra está em fase final de desenvolvimento e deve ser publicado em breve.

O livro "Na métrica do haicai" pode ser adquirido no site da Editora Coopmed.

 

 

 

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