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Unimed-BH-On-line nº696

Tendências sobre mercado de saúde e bem-estar no centro do debate

A edição 2026 Talks Unimed-BH, evento promovido pelo Horizontes Hub, movimentou o Cine Theatro Brasil na última terça-feira, dia 15 de setembro, para um debate sobre o mercado de wellness (saúde e bem-estar), em seus diferentes aspectos. Do cuidado básico com a saúde à mudança da forma como avaliamos um carro, passando pela influência digital e pelo mercado de trabalho, os convidados debateram como a cultura do “bem-estar” está direcionando a maneira como nos relacionamos com empresas, marcas, pessoas e com nós mesmos.

O painel de abertura - "Sempre foi Saúde. Só não chamávamos assim" - reuniu Paulo Carreiro, diretor de Gestão Empresarial da Unimed-BH, Felipe Ferraz, técnico do time de vôlei Sada Cruzeiro, Erika Pereira, da Globo Gente, e Jackson Neves, da Telus Health. A conversa contextualizou a evolução pela qual o setor da saúde passou nas últimas três décadas com a disseminação intensa de informação advinda da digitalização, levando a uma mudança profunda no comportamento da sociedade.

Talks painel 1

“O conceito de saúde mudou, deixando de ser apenas a ausência de doenças para algo mais amplo, que envolve diversos outros aspectos da vida de cada pessoa”, resumiu Paulo Carreiro.

A afirmação vai ao encontro dos dados levantados pela Globo Gente, plataforma do grupo de comunicação Globo dedicada à pesquisa e disseminação de informações sobre comportamento e tendências do brasileiro. “O Brasil considera saúde e bem-estar como um ativo muito valioso, superando até mesmo a família. E esse conceito de saúde é expandido e abarca questões não diretamente relacionadas ao corpo, como finanças, lazer ou espiritualidade, mas que têm impacto sobre como nos sentimos e nas escolhas que fazemos diariamente”, explica Erika.

Os debatedores também lembraram o risco dos excessos e como uma preocupação exacerbada com bem-estar e performance pode ser prejudicial, levando a uma mercantilização e medicalização da vida. Segundo eles, tristeza e cansaço, por exemplo, são parte da vida. Encarar toda experiência ruim como um problema a ser tratado acaba transformando pessoas saudáveis em pacientes, com suplementos, remédios, exames e tratamentos desnecessários, banalizando a saúde.

Nesse cenário, Felipe Ferraz lembrou a importância do equilíbrio e do respeito aos limites. “Mais recurso não significa mais saúde. Tudo precisa ser visto em contexto, com boa orientação e embasamento adequado. Muitas vezes, a pausa e o descanso são mais importantes do que treino adicional ou a busca constante por uma performance perfeita”, apontou.


 

Wellness como indutor do consumo

O segundo painel, “A Economia do Viver Bem”, trabalhou o recorte do wellness como produto e atributo de venda em diferentes segmentos, um mercado que já movimenta cerca de 6 trilhões de dólares em todo o mundo. O debate reuniu Arnaldo Garcia, do Community Creators Academy (CCA), especializada em conteúdo digital, Giulianna Montoya, da BYD, e Rafael Fernandes, da Total Pass.

Os painelistas mostraram como, para além de produtos diretos como academia ou suplementos, a preocupação com bem-estar influencia também o tipo de conteúdo que consumimos nas redes sociais, as comunidades que criamos e até mesmo a escolha de um novo carro.

Talks painel 2

“Há alguns anos, quando se falava de luxo em um veículo, a atenção estava voltada para questões como potência ou motorização. Hoje, as pessoas já voltam o olhar para itens que promovam conforto durante o tempo que passamos no carro. São bancos massageadores, vidros com proteção solar e recursos como playlists com músicas e sons que promovem relaxamento”, conta Giulianna.

Nas redes sociais, a chamada Creator Economy, em que o conteúdo é um canal para a geração de negócios, já movimenta 500 bilhões de dólares, e wellness é um dos temas de maior engajamento, seja em perfis de profissionais dedicados ao tema, seja no segmento “estilo de vida”, em que as pessoas compartilham suas rotinas e destacam temas como alimentação, exercícios e outras atividades ligadas à promoção da saúde e bem-estar.

“Em meio à enorme quantidade de informação, um dos desafios que temos hoje é a qualificação desse conteúdo. Precisamos tornar as autoridades do mundo real referências no mundo virtual, uma vez que, com cada vez mais frequência, as pessoas tomam decisões com base no que veem nas redes sociais e nos grupos de conversa”, explicou Arnaldo.

Do ponto de vista dos produtos específicos ligados ao setor, Rafael destacou como os aplicativos e plataformas se tornaram um meio de democratizar a prática de exercícios físicos, oferecendo uma ampla gama de opções em diferentes lugares do país e do mundo.“Hoje você consegue encontrar uma academia próxima a você ou que ofereça alguma modalidade específica de interesse. As plataformas são ainda um apoio para quem quer começar a dar o primeiro passo e encontrar o que precisa para entrar no mundo do wellness”, destacou.


Desconexão e requilíbrio

Após os painéis iniciais, foi a vez de Emanuel Aragão subir ao palco para a palestra “Viver bem não é viver sem desconforto”. O filósofo e psicoterapeuta compartilhou com o público uma análise da desconexão entre a natureza fisiológica e mental do ser humano e a cultura da sociedade atual, que tem levado a um cansaço contínuo e à sensação de exaustão.

Segundo ele, a sociedade evoluiu para suprir as necessidades fisiológicas básicas, como comida ou abrigo, tornando a vida mais confortável. Por outro lado, a cultura coletiva também vem influenciando a maneira como lidamos com necessidades emocionais, como vínculo, cuidado e prazer.

Talks palestra 1

“No mundo atual, as etapas necessárias que nos obrigam a nos movimentar e buscar nossos interesses estão desconectadas. Há um anestesiamento dos desequilíbrios, um excesso de objetos e comportamentos que não atendem diretamente ao que precisamos, mas cobrem o desconforto momentâneo com recompensas rápidas. Nesse modelo, o cansaço é sinal de que, faça o que fizer, a pessoa não consegue a real satisfação. Logo, precisamos mudar essa realidade e nos reconectar com a maneira como nosso corpo e nossa mente funcionam”, concluiu.


Gamificação se mostra aliada na criação de hábitos saudáveis

Especialistas e usuárias de plataformas de bem-estar se reuniram no painel “E se adotar hábitos saudáveis fosse um game?” para discutir como a gamificação tem ajudado pessoas a adotar e manter hábitos saudáveis. Participaram do debate Marília Nunes, representando a plataforma Queima Diária, Marina Laia, da Fidela, e Kênia Caetano, psicóloga e usuária da plataforma Mude1Hábito, da Unimed-BH. O painel destacou que recursos como desafios, metas, pontuações e recompensas tornam a jornada de autocuidado mais atrativa, contribuindo para aumentar o engajamento e a constância dos usuários. Além disso, as plataformas digitais ajudam a democratizar o acesso à atividade física e ao bem-estar, permitindo que as pessoas cuidem da saúde de forma mais prática e adaptada à rotina.

Talks painel 3

Para Marília Nunes, a tecnologia tem um papel importante na democratização do acesso à atividade física. “Quando facilitamos a prática de exercícios no dia a dia e eliminamos barreiras como deslocamento e burocracias, aumentamos as chances de transformar o movimento em um hábito duradouro”, destacou.

Marina Laia ressaltou que o maior desafio não é começar uma mudança de comportamento, mas sustentá-la ao longo do tempo. Segundo ela, “a visualização do progresso, os gatilhos de motivação e o acompanhamento dos resultados tornam a jornada mais envolvente e ajudam as pessoas a permanecerem engajadas”. A experiência prática foi reforçada por Kênia Caetano, que utiliza a plataforma Mude1Hábito da Unimed-BH para cuidar da saúde e reduzir os impactos da doença de Crohn. “As metas e os recursos de incentivo me ajudaram a manter a constância e a assumir um papel mais ativo no cuidado com a minha saúde”, relatou.

Outro ponto destacado pelos participantes foi a força das comunidades digitais. Por meio de desafios, recompensas e troca de experiências, os usuários encontram apoio para seguir seus objetivos. Ao mesmo tempo, as debatedoras alertaram para os riscos da comparação excessiva. 


 Saúde e trabalho na era digital

No último painel do Talks, o neurocientista Daniel Hosken falou sobre o tema: “O wellness integrado e a nova relação entre saúde e trabalho”. Após sua apresentação, ele e outros profissionais discutiram os impactos das mudanças tecnológicas sobre o bem-estar no mercado de trabalho.

Talks palestra 2

Segundo Hosken, compreender os desafios atuais passa pela análise de quatro dimensões fundamentais da experiência humana: pensamento, sentimentos, movimento e adaptação. O primeiro aspecto está relacionado à maneira como a mente opera. “O pensamento humano transita constantemente entre memórias do passado, demandas do presente e projeções de futuro, gerando uma sobrecarga cognitiva cada vez mais intensa”, declarou. No campo das emoções, ele destacou que o ambiente digital ampliou significativamente os estímulos aos quais as pessoas são expostas diariamente. Se antes os riscos e alertas emocionais eram mais pontuais, hoje os indivíduos vivenciam, em poucos minutos, uma sequência de sentimentos distintos, impulsionados pelo consumo acelerado de conteúdos nas redes sociais e plataformas digitais. O cérebro nem sempre consegue processar na mesma velocidade as descargas neuroquímicas provocadas por essa dinâmica”, disse.

Outro ponto abordado foi a relação entre movimento, produtividade e tecnologia. O neurocientista observou que as ferramentas digitais ampliaram exponencialmente a capacidade de atuação das pessoas, permitindo realizar múltiplas tarefas simultaneamente e contando, cada vez mais, com o apoio da inteligência artificial. Entretanto, ele alertou para o conflito entre essa nova realidade e a lógica tradicional de que mais tempo dedicado ao trabalho necessariamente significa mais produtividade. O ser humano ganhou recursos tecnológicos extraordinários, mas continua submetido aos mesmos limites biológicos”, ressaltou.

Para ele, a manutenção dessa mentalidade contribui para o aumento da exaustão e do sentimento de insuficiência entre os profissionais. A quarta dimensão apresentada por Hosken trata da capacidade de adaptação. Embora a velocidade das transformações no ambiente de trabalho seja crescente, o cérebro humano necessita de tempo para assimilar mudanças e desenvolver novos padrões de comportamento. Quando pensamento, emoções e ações deixam de atuar de forma alinhada, surgem sentimentos como culpa, ansiedade e sensação de inferioridade.

Nesse contexto, o neurocientista apontou o surgimento da chamada Geração Wellness, formada por profissionais que desejam continuar entregando resultados, mas que também reivindicam espaço para descanso, recuperação e cuidado com a saúde mental sem que isso seja visto como falta de comprometimento. 

Os debatedores também destacaram o papel das lideranças na construção de ambientes mais saudáveis. Durante o painel, Jackson Neves, da Telus Health, defendeu que gestores estejam preparados para identificar sinais de sofrimento emocional e atuar como facilitadores no encaminhamento de demandas relacionadas à saúde mental. A proposta inclui a formação de profissionais capacitados para atuar como verdadeiros “socorristas de saúde emocional” dentro das organizações.

Talks painel 4


Parceria com o Instituto Unimed-BH

Pela primeira vez em oito edições, a Talks Unimed-BH foi realizado fora da sede da cooperativa. O evento foi realizado no Cine Theatro Brasil por meio de parceria viabilizada pelo Instituto Unimed-BH, que há mais de 20 anos  atua pela promoção da cidadania por meio da arte e do voluntariado, valorizando o trabalho médico como motor para a transformação social e a importância da união dos médicos cooperados e colaboradores da Unimed-BH para a construção de uma sociedade mais inclusiva. 

A diretora de Relacionamento com o Cooperado e Sustentabilidade, Silvana Teotonio, apresentou ao publico as ações desenvolvidas pelo Instituto Unimed-BH em seus diferentes eixos de atuação e trouxe os principais resultados alcançados em 2025. 

Talks dra. Silvana

“Quando falamos em saúde, falamos também das condições que permitem às pessoas viver com mais qualidade de vida, mais oportunidades, mais acesso à cultura, à educação, ao convívio social e ao desenvolvimento humano. E é aí que entra o Instituto Unimed-BH, com seus mais de 20 anos de atuação. Acreditamos que saúde e desenvolvimento social caminham juntos e que cultura também promove bem-estar”, ressaltou. 


Além dos debates, o Talks Unimed-BH também foi palco do lançamento de dois novos produtos do Horizontes Hub. O público presente pode conhecer em primeira mão, a  Nexa Health e Nexa Health GO, duas plataformas digitais integram a estratégia de inovação e novos negócios desenvolvida pelo Hub e ampliam o acesso de pessoas e empresas a soluções de saúde e bem-estar. CLIQUE AQUI e saiba mais sobre essa novidade. 

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